Cinco sílabas

Era manhã de domingo.

Apesar de não tomar café, sou eu quem faz o café na minha casa. E bem cedinho ele já estava pronto, como um convite perfumado para acordar quem ainda estava dormindo.

Abri a janela da cozinha e o cheiro da grama molhada pelo orvalho me despertou ainda mais os sentidos.

Meu cachorrinho sentiu o cheiro do pão de queijo recém-saído do forno e começou a arranhar a porta, pedindo para entrar. Ele sempre pede qualquer coisa que estejamos comendo…

Logo chegou minha mãe, trazendo meu pai para a mesa. Os dois rindo, alegres como sempre.

Foi então que me ocorreu…

Depois de morar em tantos lugares, estudar tanto, trabalhar desde pequena (comecei com treze anos), depois de tanto procurar em vão…

Ela estava ali, na minha frente.

Aquilo que passei toda a vida buscando, sem saber exatamente que forma tinha. Qual cheiro, qual cor.

Estava ali, como personagens e cenários saltando de uma linda tela, ganhando vida.

De repente, tudo o que me faltava perdeu importância, porque o essencial estava diante de meus olhos.

Aquele momento tinha nome.

Um nome com cinco sílabas.

FE-LI-CI-DA-DE.

Eu não mais precisava buscar.

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